Nesses dias o cinema perdeu um dos seus grandes nomes. George A. Romero foi o pai do zumbi moderno, definindo e popularizando o sub-gênero em 1968 com A Noite dos Mortos Vivos. De lá pra cá tivemos paródias, versões, com obras inteiras influenciadas pelo horror e pelas críticas sociais presentes em todos os seus filmes. Muito além do zumbi, Romero brincou com outros temas, e aqui a gente lista os 13 melhores filmes de sua carreira, pra você conhecer a obra desse ícone do terror.

A Ilha dos Mortos (Survival of the Dead, 2009)

Em 13º lugar, temos seu último trabalho como diretor em A Ilha dos Mortos, produzido de forma independente. Num mundo infestado de zumbis, acompanhamos um grupo de militares que viaja pelo interior tentando conseguir suprimentos. Constantemente lutando com os mortos vivos, eles ficam intrigados ao saber de uma ilha livre desse perigo chamada Plum Island. Mas quando chegam lá, esse paraíso é palco de uma briga entre duas famílias: uma que deseja exterminar todos os zumbis, e outra que convive pacificamente com seus parentes mortos vivos. História inspirada no filme Da Terra Nascem os Homens de 1958, foi duramente criticado pela má qualidade em relação aos trabalhos anteriores, mas entrou na lista por ser o 6º filme da famosa série de zumbis, então deixe pra assistir por último.

Dois Olhos Satânicos (Two Evil Eyes, 1990)

12º lugar, Dois Olhos Satânicos de 1990. Parceria de Romero e Dario Argento, que já haviam trabalhado juntos em 78 no filme Despertar dos Mortos, vem esse filme divido em duas histórias, ambas baseadas nos contos de Edgar Allan Poe. A primeira é “Os Fatos do Caso do Sr. Valdemar”, dirigida por Romero, e mostra um esquema maligno da esposa para ficar com o dinheiro do marido, misturando terror com crítica social, especialmente ao capitalismo. Depois temos “O Gato Negro” dirigido por Argento, onde mistura diferentes referências de Poe numa nova narrativa, sobre um policial fotógrafo que se torna um assassino. Os Efeitos especiais de Tom Savini estão incríveis como sempre, e é uma mega recomendação.

A Metade Negra (The Dark Half, 1993)

E se Romero adaptasse uma obra de Stephen King? Isso aconteceu em 1993 com o filme A Metade Negra. Quando criança, Thad Beaumont removeu um tumor da cabeça, mas durante a operação descobriu que o tumor era na verdade um irmão gêmeo que não se desenvolveu. Anos depois, Thad é um autor de sucesso escrevendo livros sérios sob seu nome verdadeiro, e livros pulp que dão dinheiro com o pseudônimo de George Stark. Mas alguém descobre seu segredo e começa a chantageá-lo, criando uma série de assassinatos onde todas as pistas apontam para o próprio autor.

Instinto Fatal / Comando Assassino (Monkey Shines, 1988)

Nosso 10ª lugar é Instinto Fatal, também conhecido como Comando Assassino no Brasil. Um atleta que ficou quadriplégico cria uma ótima relação com um macaco, que o ajuda nas mais diferentes tarefas. Mas o macaco é parte de um experimento que desenvolve uma conexão com seu mestre, compartilhando sentimentos, inclusive a raiva, até que o primata começa a executar os desejos mais macabros de seu dono. Baseado no livro de mesmo nome, foi o primeiro filme de “estúdio” de Romero, onde a produtora acabou se metendo na história. Forçou Romero a dar um final feliz, ao invés de um final mais ambíguo como prefere, e depois da má recepção inicial, remontou o filme adicionando um final mais chocante, sem avisar o diretor. Depois disso, Romero voltou para os filmes independentes.

O Exército do Extermínio (The Crazies, 1973)

9º lugar, O Exército do Extermínio. Uma arma biológica acaba vazando numa cidade da Pensilvânia, causando a morte ou insanidade permanente nos expostos a contaminação. Parte da população começa a se rebelar, enquanto outros cometem assassinatos e atos de loucura, e tudo vira um inferno quando o exército chega pra tentar conter esse vírus mortal, só que da pior forma possível. Cada tentativa de solucionar o problema acaba dando mais errada que a outra, e tem como crítica o poder dos governos de expor a população, e da falta de preparo para lidar com situações de crise. Muito tenso, violento, e ainda recebeu um remake em 2010. Vale a pena conferir.

Diário dos Mortos (Diary of the Dead, 2007)

Em 8º lugar temos o quinto filme de zumbi de Romero, o found footage Diário dos Mortos de 2007, se passando no mesmo universo dos outros filmes, mas dando um reset de leve na história. Acompanhamos um grupo de estudantes de cinema tentando gravar um filme de terror, quando o outbreak zumbi acontece durante a produção. A partir daí o grupo tenta buscar um jeito de sobreviver, enquanto registra a ruína da sociedade moderna, documentando tudo com suas câmeras. Produzido de forma independente, Diário dos Mortos possui algumas referências aos filmes anteriores do diretor, e marca uma mudança de linguagem ao utilizar o estilo Found Footage, com longas sequências e mais computação gráfica.

Terra dos Mortos (Land of the Dead, 2005)

Dois anos antes, tivemos a produção de Terra dos Mortos, nosso 7º lugar, feita em parceria com um estúdio, se tornando o mais caro entre os 6 filmes de zumbis dele. Seguindo a história dos 3 filmes anteriores, agora temos os últimos sobreviventes numa cidade protegida, dentro de um sistema feudalista. Mas as coisas pioram quando uma revolução tenta derrubar o líder da cidade, e os zumbis estão se transformando em criaturas mais desenvolvidas. Com críticas positivas, é um filme com grandes proporções e efeitos especiais, misturando críticas sociais com explosões.

Creepshow: Show dos Horrores (Creepshow, 1982)

Em 1982 tivemos a estreia de Stephen King como roteirista, no filme Creepshow dirigido por Romero. Trata-se de uma antologia de 5 contos de humor negro baseados em quadrinhos da década de 50. O primeiro é sobre um velho que retorna do túmulo para buscar seu presente de Dia dos Pais. O segundo é sobre um fazendeiro não muito inteligente, interpretado pelo próprio King, que encontra um meteoro no quintal. O 3º é sobre um marido vingativo. O quarto é sobre uma criatura que vive numa caixa no colégio. E a última história é sobre um homem de negócios ultra rico que recebe um castigo bem merecido. Essa antologia também conta com um prólogo e um epílogo, sobre um pai brigando com o filho que adora ler quadrinhos de terror. A criança é interpretada pelo filho de Stephen King, o também autor Joe Hill, e os efeitos são de Tom Savini.

Cavaleiros de Aço (Knightriders, 1981)

Desviando dos filmes de terror, em 81 o Romero tentou criar uma espécie de drama e fantasia moderna, e o que acabou conseguindo foram cavaleiros medievais lutando em motocicletas. Cavaleiros de Aço é sobre um grupo performático que resgata tradições medievais, mas encontra dificuldade pra manter os integrantes unidos, lidar com as finanças e a polícia local, agentes oferecendo uma carreira solo pro Cavaleiro Negro e também da desilusão do rei. Com participações de Tom Savini e Stephen King.

Dia dos Mortos (Day of the Dead, 1985)

Em 4º lugar, Dia dos Mortos de 85. Terceiro filme da série de zumbis, o mundo está tomado por eles, com exceção de um grupo de cientistas e militares que vivem num bunker subterrâneo. Os cientistas fazem experimentos com os mortos-vivos, e quando os militares descobrem que soldados eram usados pra algumas experiências, um conflito surge, ao mesmo tempo que os zumbis da superfície procuram um caminho para entrar. É o terceiro e último filme da primeira trilogia de zumbis, mostrando como a falta de comunicação entre as pessoas pode causar o caos e o colapso até em pequenos nichos da sociedade. Gregory Nicotero e Tom Savini fazem os efeitos, além do zumbi Bub que virou ícone na cultura pop. Esse filme é referenciado no filme Resident Evil, e também na quarta temporada de The Walking Dead.

Martin (1977)

O terceiro lugar não é do zumbi, mas sim de outra entidade explorada por Romero. Martin de 1977 introduz um jovem que acredita ser um vampiro. Por não ter presas, ele acaba utilizando navalhas para conseguir o sangue de suas vítimas. Mas ninguém leva ele muito a sério, além do seu primo avô que acredita que a maldição do vampiro realmente caiu sob o garoto. É o filme favorito do diretor, que consegue dar uma versão própria ao gênero, e marca também a primeira colaboração com Tom Savini. Teve uma ótima recepção entre os críticos, com sua sátira social, reflexões e final surpreendente. Só tenta assistir de estômago vazio.

A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead, 1968)

2º Lugar, A Noite dos Mortos Vivos de 68. Barbra e Johnny visitam o túmulo do pai num cemitério remoto, quando são surpreendidos por zumbis. Barbra consegue escapar e se refugia numa casa que parece abandonada, dentro de uma fazenda. Logo ela se junta a Ben, que parou por lá procurando gasolina. A notícia de que um apocalipse zumbi tomou conta de tudo vem com a luta pela sobrevivência, e logo eles descobrem mais algumas pessoas na casa. Discussões e conflitos fazem com que as chances de sobreviver a noite diminua a cada minuto. É um filme que marcou o cinema, tanto por colocar um negro como protagonista, quanto a desconstrução do patriarcado, as falhas da mídia e agências governamentais e o mecanismo da defesa civil. Romero faz uma ponta como reporter de TV. Foi o filme que definiu o zumbi moderno, mortos-vivos comedores de carne, quando antes os zumbis eram pessoas vivam sob efeito de vudu. Teve um remake colorido em 1990 dirigido por Tom Savini, que você pode assistir na Netflix. Se tiver sorte, ainda encontra uma edição raríssima do livro da DarkSide Books, esgotada em todos os lugares.

Dawn of the Dead (Despertar dos Mortos, 1978)

Só sobrou um filme para o nosso primeiro lugar, que é o Despertar dos Mortos de 1978. Seguindo os eventos da Noite dos Mortos Vivos, acompanhamos a expansão da epidemia de zumbis, quando dois membros da SWAT procuram abrigo num shopping center, e encontram um reporter e sua namorada por lá. Eles então usam os objetos das lojas, trancam o shopping, se armam, e matam os zumbis que estavam lá dentro, pra poder criar um ambiente seguro. Mas a tensão começa a crescer conforme o tempo passa, quando percebem que estão sendo vítimas do consumismo. As coisas pioram quando um grupo de motoqueiros invade o shopping, trazendo a ameaça dos vivos e dos mortos pra dentro dessa fortaleza improvisada. Com dimensões bem maiores do que o primeiro filme, é uma crítica ao consumismo americano, com personagens profundos e situações de sobrevivência. Tom Savini faz os efeitos, apesar de utilizar uma produção simples com tinta azul ou cinza, e sangue vermelho vivo pra dar um efeito mais cômico. Em 2004, Zack Snyder estreou na carreira de diretor fazendo o remake desse filme.


Aproveite pra me dizer ali nos comentários qual desses filmes é o seu preferido, ou se tem algum que você ficou com vontade de assistir. Essa aqui foi nossa pequena homenagem ao mestre, que pra sempre será lembrado como o pai do zumbis modernos. Obrigado por tudo.

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