Tesla vs Lovecraft (Nintendo Switch) Review | Raios & Monstros Abissais

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Tesla vs Lovecraft Gameplay no Nintendo Switch - 2

Tesla vs Lovecraft é um jogo de ação com temática de ficção científica e terror cósmico, produzido pela 10tons, empresa especializada em games do tipo “twin-stick shooter”. Recebemos uma cópia da versão do Nintendo Switch e vamos dizer se o portátil aguenta as hordas de monstros de outra dimensão.

Controlamos Nikola Tesla, inventor e gênio renomado da engenharia elétrica que fez profundas contribuições para a humanidade. Prestes a revelar uma grande invenção, seu laboratório é incendiado e seus equipamentos roubados pelo autor de terror H.P. Lovecraft, que afirma que suas invenções levarão o mundo a ruína. Com a ajuda de seus livros e um exército de monstros, ele fará de tudo para impedir nosso protagonista.

Após um rápido epílogo, somos jogados num universo infestado por monstros baseados nos contos de Lovecraft. O primeiro mundo é divido em dezenas de fases cheias de inimigos, e a cada vitória resgatamos um pedacinho de tecnologia roubada. Novas armas, habilidades, “perks” e inimigos são revelados dessa forma, assim como seu robô de combate e o sistema de dinheiro do jogo, os tais Aether Cristals.

As primeiras fases ensinam as mecânicas básicas sem muita enrolação, dando para sentir um gameplay bastante fluído e intuitivo, com um novo aspecto do jogo sendo introduzido a cada fase. Isso alivia a curva de aprendizado, ajudando também a montar novas estratégias. Cada monstro derrotado te dá XP para subir de nível, permitindo escolher um novo “Perk”, como são chamadas os talentos de batalha. O nível é zerado no início de cada partida, permitindo a seleção de diferentes habilidades como em jogos do tipo MOBA, o que traz uma boa rejogabilidade em cada partida.

Entre as habilidades básicas no primeiro mundo temos a tão necessária máquina de teleporte, vital para fases mais avançadas, além das poderosas sub-armas com limite de utilizações. Com o tempo você também habilita novas armas, algumas clássicas como shotgun e metralhadora ou mais futuristas com raios e círculos de energia. Uma das invenções mais legais é o “Tesla-Mech”, um robô temporário que te protege e pode aumentar seu poder de destruição nos momentos mais difíceis.

De tempos em tempos, armas, partes do robôs e gadgets surgem no mapa, assim como bônus para duplicar temporariamente o XP recebido, escudo de imunidade e packs de vida, adicionando pequenos objetivos. Há um botão para travar a arma, que apesar de não ser muito claro sua funcionalidade, permite manter a sua arma atual e não pegar outra por acidente. Os cenários são diversificados com ambientação no início do século XX, mas possuem poucas mecânicas próprias e poderiam ter sido melhor aproveitados além de um simples battleground.

Com apenas 8 tipos de inimigo, o jogo se sai bem ao adicionar variações mais rápidas, mais fortes, com mais HP ou explosiva. Certas fases são marcadas por lutas com chefes, que são versões bem maiores e com habilidades especiais, com seu HP visível no centro da tela para acompanhar a evolução da luta. O sistema de bestiário também ajuda, onde ao matar um número específico daquela espécie nos torna mais eficazes, aumentando o dano contra aquele monstro específico.

Ao finalizar do primeiro mundo você aprimora o sistema de dinheiro do jogo, que adiciona uma segunda camada de replayability. Coletando os cristais nos mapas e através de missões diárias, você pode melhorar cada aspecto das habilidades, seja o número de teleportes, aparição de “Perks” épicos, duração do Tesla-Mech, entre outros. Os valores dos upgrades aumentam a cada desbloqueio, levando bem mais tempo para farmar os cristais necessários, o que traz um senso de “jogo de celular” não muito agradável, mas eficiente em extender a duração do jogo para os modos mais competitivos.

Talvez o maior problema seja o balanceamento das armas. O “Perk” de cano-duplo tem o efeito de duplicar o volume de projéteis, dobrando assim o dano e área de cobertura de cada disparo. Começamos sempre com o revolver, e em certas partidas ficamos bastante limitados, enquanto na próxima tentativa podemos adquirir armas muito mais eficazes logo no início. Entre os “Perks” épicos existe também muita diferença, então às vezes ganhar ou perder as fases mais difíceis é só questão de sorte no que você encontra.

Chegando nas fases do nível Eldritch é que a sua habilidade é colocada à prova. Tentáculos surgem em todos os cenários, e uma quantidade maior de cristais surge para te ajudar. O console também mostra seu poder gráfico ao exibir centenas de monstros, que apesar de terem um modelo 3D mais simples, morrem em 1080p e 60 FPS diante de milhares de projéteis ricocheteando por todos os lados. Qualquer novato teria dificuldade em entender o que está acontecendo na tela, mas nesse momento o jogador já está pronto para lidar com a velocidade das coisas. Um teleporte errado dentro de uma multidão de monstros ou na trajetória de um tentáculo gigante é suficiente para terminar sua partida.

Para ajudar na ação frenética temos uma trilha sonora no estilo metal melódico, épico, que dá velocidade e grandiosidade para a situação. Em contra-partida, o som da música não contribui muito com horror existencial de Lovecraft, e se mistura com o grande volume de tiros e grunhido dos monstros, pedindo por uma regulagem manual nas fases mais frenéticas. A função HD Rumble do Nintendo Switch é pouco explorada, com vibrações monótonas, podendo sincronizar melhor com explosões e dano dos inimigos em futuros updates.

A temática “Tesla vs Lovecraft” já foi trabalhada em outras mídias, mas o jogo tende a abstrair a parte lovecraftiana para um foco na ação de projéteis vindos das invenções de Tesla. O jogo poderia utilizar uma ambientação mais assustadora, assim como a habilidade de jogar como Lovecraft num mundo dominado por robôs de Tesla. Falta também uma certa unidade no artwork do jogo, onde as cenas de história e outros elementos possuem estilos um tanto desconexo, as vezes mais detalhado, outras mais simplista.

O jogo pode se tornar repetitivo num certo momento, mas aí já terão passado algumas horas, e no dia seguinte você estará animado em voltar para concluir as fases restantes. Existem muitos objetivos para quem deseja completar 100% do jogo, trazendo pontos extras para quem joga no Nintendo Switch e leva o jogo consigo. É verdade que se torna cansativo segurar o console por tanto tempo com o botão ZR pressionado, mas o gameplay mantém a fluidez no modo TV ou com o console na mesa, e você pode reorganizar a função de cada botão para seu próprio gosto.

Apesar de não se sentir muito o tema do jogo, o foco está mesmo na ação e o jogo executa de forma excelente, com muitos caminhos de aprimoramento tanto através de XP quanto na habilidade do jogador. O jogo vem com 6 slots de save do jogo para testar talentos diferentes, além do sistema próprio de “profiles” Nintendo Switch. Ainda inclusos estão o modo CoOp que permite até 4 jogadores dividirem a mesma tela para matar as hordas de monstros inomináveis, e também um modo “Survival” para competir globalmente com outros jogadores para ver quem dura mais tempo. Com todos esses detalhes, participação da comunidade e updates do desenvolvedor, Tesla vs Lovecraft se destaca como um dos melhores twin-stick shooters dessa geração.

Tesla vs Lovecraft | Mais Informações

Tesla vs Lovecraft Trailer