Hoje estreia o filme de terror brasileiro O Rastro, do diretor J.C. Feyer, que mistura terror psicológico, com críticas sociais, num hospital macabro e muito suspense. O elenco é estrelado por Rafael Cardoso, Leandra Leal, Natália Guedes e Claudia Abreu.

Na sinopse, acompanhamos a história de um jovem médico (Rafael Cardoso) que está supervisionando a transferência de pacientes de um hospital publico que vai ser desativado no Rio de Janeiro, por falta de verba. Mas uma das últimas pacientes, uma criança, acaba desaparecendo no meio da noite, e conforme o médico procura pela garota, acaba revelando uma história muito mais sombria.

Falar de filme de terror nacional sempre foi um assunto delicado, principalmente pras produções mais recentes. É uma mistura de falta de referências nacionais, com essa necessidade de importar o terror americano e europeu.

O Rastro tenta fazer um pouco dos dois, trazendo críticas sociais e assuntos sensíveis da nossa realidade, principalmente do Rio de Janeiro, e ao mesmo tempo faz uma homenagem ao terror de diferentes épocas. O resultado é um filme cheio de erros e acertos, numa produção ambiciosa, mas que faltou um senso de unificação da produção como um todo.

Abrimos a história com o conflito de um médico jovem sob pressão e responsabilidade, e expondo os problemas da nossa saúde publica. Os desafios e conflitos vão ficando cada vez maiores e ambiciosos, tanto na complexidade quanto na resposta sombria, e é por isso que os momentos de terror do filme não parecem se encaixar muito bem com a mensagem de fundo.

As pistas que são deixadas demoram pra se conectar, resolvendo muito da grande trama apenas na reta final do filme, o que torna a experiência cheia de altos e baixo, e cansativo. O filme se preocupa em construir tudo paralelamente, inclusive a forte crítica social e política, e é um dos maiores valores dessa produção. Mas como balancear com o terror? E é nisso que o filme deixa a bola cair em vários momentos.

Fãs de filmes de terror clássico vão reparar nos inúmeros reflexos, representando a dualidade do personagem, a paranoia. Cenas com pouca luz, procurando a verdade, e todo o clima de suspense, com close no rosto dos personagens, e muitas ideias bacanas de cenas e sequências, mas acabaram não se misturando bem com os outros elementos que o filme explora.

Os atores até fizeram um ótimo papel, o médico interpretado pelo ator Rafael Cardoso é um dos pontos altos da produção, tanto na parte do personagem sério quanto na desorientação, enquanto outros veteranos tiveram menos destaque. Leandra Leal trabalhou bem com o que a personagem tinha pra oferecer, mas a atriz Claudia Abreu foi completamente sub-utilizada nesse filme em relação aos outros coadjuvantes, em cenas que nem o diálogo ajudava.

Uma coisa que me incomodou no filme foram os “scare jumps“, por terem sido usados da pior forma possível. Ou seja, em momentos que não existe um perigo eminente, ou algum indício de perigo, e por não resultarem em nenhum tipo de ameaça. É simplesmente um barulho super alto e desnecessário no meio de um diálogo, e isso mostra uma forçação absurda, gratuita, que o filme não precisava. Como se apenas service para assustar a plateia, filmar e promover o filme.

Outra coisa que não ficou legal é a utilização de computação gráfica em certos momentos. Tudo bem você usar placas e luzes em certas cenas, mas na hora do terror, coisas estranhas acontecendo, a utilização de efeitos práticos teria um resultado muito superior.

Na reta final, o filme desenvolve de forma bastante arrastada, com uma conclusão adequada pra tudo que o filme apresentou, mas a cena final, que deveria ter algum impacto, foi feita de forma muito simples e óbvia. Podia ter sido montada de forma mais sutil, pra deixar uma impressão menos explicativa.

O Rastro | Trailer

O Rastro é um filme de terror nacional que dá um passo na direção correta para esse gênero no Brasil. Aborda muitos bons conceitos e faz homenagens a filmes clássicos, mas a forma como foi montado pode não te agradar. Se você quiser prestigiar o cinema de terror nacional, incentivar sua produção, vá ao cinema e fale sobre o filme depois, debata sobre as críticas, e como o filme poderia ter acertado mais. Mas se terror não é o um gênero que você goste, então espere o filme sair em VoD ou DVD, e assim aproveitar os problemas tão contemporâneos que ele aborda. Aproveite também para assistir nossa crítica em vídeo.

O Rastro Crítica | Vale a Pena? (Crítica em Vídeo)

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