Chegou para o Nintendo Switch o pacote Outlast: Bundle of Terror, que inclui o primeiro jogo da franquia lançado em 2013 para PC, e seu DLC de 2014 chamado Whistleblower. A produtora Red Barrels enviou uma cópia para review, e vamos dizer como esse clássico se adaptou ao portátil da Nintendo em 2018.

No jogo controlamos Miles Upshur, um reporter investigativo que recebe uma denúncia anônima sobre o manicômio Mount Massive, mantido pela Murkoff Corporation. Segundo a fonte, o local é palco de experimentos bizarros onde pessoas se machucam, enquanto a empresa lucra com as atividades. Munido apenas com uma câmera de mão de luz noturna, bloco de notas e muita coragem, Miles invade a instituição descobrindo imediatamente que a parte “bizarra” da denúncia vai muito além da sua imaginação. Para piorar, cada vez que ele traça um plano de fuga, algo o leva para mais fundo nos segredos da corporação.

O jogo começa com uma rápida sequência para aprendermos os comandos de movimentação e as funções básicas da câmera, assim como diferentes interações com o cenário. Em 10 minutos você já passou por sustos, imagens chocantes, inimigos mortais e eventos imprevisíveis. A navegação é bem orientada, indicando o caminho através de rastros de sangue, luzes e objetivos escritos na tela, que representam a intenção de Miles.

Em quase todos os momentos temos a presença dos internos, chamados “variantes”, compostos de vitimas de experimentos macabros, pessoas que perderam a sanidade e funcionários vitimas dos acontecimentos. Isso cria um ambiente de hostilidade imprevisível, onde qualquer interno pode permanecer calmo ou te atacar de surpresa. Alguns deles se tornam inimigos recorrentes com motivações particulares, como os gêmeos, o doutor, ou o brutamontes Chris Walker, no melhor estilo stalker. Tudo o que você pode fazer é correr, se esconder e tentar não gritar.

Você até resiste alguns golpes, mas as mortes são frequentes com animações grosseiras e inimigos assustadores. Elas não são tão punitiva pois cada save point se torna um alívio psicológico indicando a superação de uma parte difícil, ou garantindo um rápido retorno em caso de morte. Isso fica mais evidente em sequências de perseguição, onde corremos seguindo instintivamente o caminho, até que algo nos tira da rota. É com essa mecânica de desvio que mergulhamos tanto na história quanto nos ambientes mais perturbadores do manicômio.

A câmera de mão adiciona a mecânica principal de tensão do jogo, que além de avistar uma ameaça de longe com o zoom, permite navegar pela escuridão com seu sensor infra-vermelho. A visão limitada deixa tudo mais claustrofóbico, confuso, redobrando a atenção aos detalhes e potencializando o som do jogo. Jogar usando fones de ouvido torna tudo ainda mais imersivo, onde o som representa (mais de) 50% do terror, também servindo para identificar objetivos e a localização de inimigos no escuro. Quer diminuir o pânico? Diminua o volume ou jogue sem fones na TV, isso ajuda a se concentrar nas partes mais difíceis. Destaque também para a trilha sonora original que torna diversos momentos numa experiência ainda mais cinematográfica.

Ao registrar certas cenas em vídeo, Miles cria anotações que ajudam o jogador a acompanhar seu horror diante de revelações e acontecimentos. O segundo tipo de documento são arquivos que reúnem relatórios, memorandos e e-mails, com o posicionamento variado de funcionários que trabalharam nos experimentos, procedimentos e resultados controversos, e a rápida queda do manicômio. O quebra-cabeça é montado aos poucos na nossa cabeça, revelando um excelente trabalho de backstory que recompensa os jogadores mais corajosos, e que exploram os lugares mais obscuros da instituição.

A versão para Nintendo Switch sustenta muito bem o jogo, e suas otimizações possuem quase nenhuma diferença para a versão do computador ou PS4. O framerate permanece sólido nos 30 FPS e resolução 720p no modo tablet, e 1008p (não 1080p) plugado na TV. Jogar no modo portátil tem muitas vantagens, como levar o console para locais com mais pessoas, o que ajuda a diminuir a tensão, ou jogar com tudo apagado antes de dormir com fones de ouvido para a máxima imersão. O único incômodo do controle foi a má utilização do HD Rumble, que além de não ter sensações dinâmicas, produz um efeito desinteressante e som perceptível.

A edição Bundle of Terror também inclui o DLC “Whistleblower”, onde você controla Waylon Park, o delator que enviou o e-mail para Miles Upshur na campanha principal. A história continua a partir do momento em que ele fecha o computador, e vemos o desenrola dos acontecimentos com uma visão interna da Murkoff Corporation. Além de novas mecânicas, ele expande diversas áreas do manicômio, introduz novos vilões, e responde algumas perguntas importantes do universo de Outlast.

Essa nova campanha é notavelmente mais difícil também. A navegação é bem mais desorientadora e a ação dos inimigos mais intensa. A Red Barrels aproveitou para subir o nível de horror e fez Parker passar por situações ainda mais traumatizantes, quebrando também algumas barreiras da imersão maníaca que um jogo de terror consegue te transportar. O desfecho de Whistleblower combina com o climax da campanha principal de um ponto de vista bastante único, aumentando ainda mais o potencial da franquia.

Caso você ainda não tenha jogado ou terminado Outlast, essa é uma oportunidade excelente para concluir um dos melhores jogos de terror já feitos para a nossa geração. A história é intrigante e caminha numa crescente de conflitos, com cenas chocantes e situações que desafiam os limites do survival horror. É também um dos jogos mais imersivos do gênero, onde você sofrerá os horrores junto com os personagens, e serve de aquecimento para o segundo jogo da série, Outlast 2, que visitaremos num próximo review também no Nintendo Switch.

Outlast: Bundle of Terror | Mais Informações

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