Deep Ones (Nintendo Switch) Review | Terror Retrô das Profundezas

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Deep Ones é um jogo indie retrô de plataforma para Nintendo Switch, inspirado nos games super coloridos do clássico “computador pessoal” ZX Spectrum, com temática submarina e referências a Bioshock e H.P. Lovecraft. Recebemos uma cópia para review da Sometimes You e exploramos as profundezas oldschool na plataforma da Nintendo.

No jogo controlamos um mergulhador sem nome que sofre um acidente com seu submarino. Ao sair para consertá-lo, um polvo vermelho de proporções ciclópicas surge e arrasta o veículo para as profundezas. Nosso protagonista precisa então explorar o oceano desconhecido, contando com aliados e adversários improváveis para resgatar seu veículo aquático.

Não se sabe exatamente o que motivou o monstro vermelho a levar seu submarino, ou o que você fazia explorando o fundo mar, mas algumas surpresas o aguardam ao longo da viagem. O background negro da tela passa uma sensação interessante das profundezas, assim como o contraste colorido com a vegetação e animais marinhos. O jogo ganha novos temas conforme exploramos águas mais profundas, e os detalhes em iluminação dinâmica 3D dá um toque especial na arte. Outra vantagem dos gráficos retrô é o baixo consumo de bateria, rendendo muitas horas de duração no Nintendo Switch.

O jogo começa com pequenos desafios e animais marinhos como inimigos. A movimentação de plataforma é bastante fluída, mas o arpão que usamos como arma só consegue atirar um projétil de cada vez, com uma certa demora para recarregar. É preciso analisar a movimentação dos inimigos e se planejar para enfrentá-los. Alguns deles podem atirar projéteis, outros possuem movimentos aleatórios, ou mesmo intercalam períodos de invulnerabilidade. O jogo é desafiador no início, e conforme você entende o desafio de cada parte, consegue avançar sem problemas após algumas tentativas.

Além do estilo plataforma, o jogo adiciona novos tipos de gameplay que remontam a games antigos. As fases são curtas e variadas, dando um bom senso de progressão, assim como o sistema de check points que ajuda a voltar rapidamente para tentar de novo. Uma das surpresas é como o jogo aborda o tema pirata, aprofundando a história com algumas reviravoltas, e uma clara referência a Monkey Island. Infelizmente o jogo sofre com algumas escolhas ruins de level design que tornam os desafios um tanto repetitivos, ou elementos que se comportam de forma estranha. Os chefes, apesar de interessantes, poderiam ter sido melhor balanceados em suas diferentes fases.

A temática Lovecraftiana só é abordada mais para o final do jogo, e infelizmente é bem menos explorada do que as outras. Nela estamos completamente indefesos diante de ameaças desconhecidas, e são essas criaturas que causam a maior estranheza e fascínio do jogo. Infelizmente essas descobertas duram pouco, te levando rapidamente para o chefe final, que sintetiza a grandiosidade do título do jogo.

Pela natureza independente do desenvolvimento, temos alguns bugs visuais, seja de sprites ou de hitbox, mas nada que comprometa a jogabilidade. Algumas opções também não são tão intuitivas, mas isso só adiciona a semelhança dos jogos da época que apresentavam essas mesmas inconsistências. Talvez o ponto mais baixo seja a trilha sonora, que apesar de bem executada, não traz nada realmente único para o jogo. Esse problema é ainda mais evidente na batalha final, onde o tema deveria ser o medo do desconhecido, e a música contradiz o momento com um ritmo animado, matando o suspense.

Como jogo de plataforma retrô ele cumpre bem o seu papel, trazendo temas divertidos, diversidade de gameplay e reviravoltas na história. Ele só acaba sofrente com a proporção de conteúdo, pois o nome “Deep Ones” invoca esses trechos de terror existencial, que ficam pouco explorados em comparação com outros temas. Mesmo assim, ele ainda é um indie notável com horas de conteúdo e gameplay desafiador, merecendo ser visitado por fãs do estilo.

Deep Ones | Mais Informações

Deep Ones Nintendo Switch Trailer