Enquanto eu escrevia essa crítica de Alien Covenant, algumas pessoas me enviaram uns blogs e sites falando coisas como “O pior filme do ano”, “Acabou a carreira do Ridley Scott”, ou jogaram a franquia Alien no lixo. Mas a verdade é que essas declarações me pareceram muito sensacionalistas, pois o filme tem sim seus problemas, mas consegue acertar em diversas coisas. É um daqueles casos onde você vai precisar assistir nos cinemas e decidir por si mesmo, mas eu queria dar a minha opinião sobre o que funcionou e não funcionou, e de repente ajudar a regular sua expectativa.

10 anos após os acontecimentos de Prometheus, temos a nave Covenant com a missão de colonizar um novo planeta. Ao total são 17 tripulantes, mas outras milhares de pessoas estão adormecidas esperando a chegada da nova moradia. A viagem é interrompida quando eles passam próximos de um outro planeta que está emitindo um sinal aparentemente humano, e que pode abrigar a vida.

Apesar de ser a sinopse oficial do filme, ele não tem pressa para chegar no novo mundo. Nós temos momentos muitos distintos, como toda a convivência na nave, um desenvolvimento bacana pra conhecer a tripulação e seus conflitos, e só depois a investigação do planeta. É um filme longo que pode ser dividido em pequenos arcos que falam do tema principal abordado no filme.

Quando eu digo tema, não to falando do monstro Alien propriamente dito, mas sim de algo mais conceitual. O que é vida, o que é a inteligência, e a criação. Quais são as regras para isso e seus propósitos. É por isso que o Alien como monstro, e as suas variações que são apresentadas, acabam ficando em segundo plano no tema. Eles são ainda criaturas violentas, predatórias, surpreendentes, e o filme consegue ser ainda mais violento que os outros da franquia. As cenas de morte são muito explícitas e satisfatórias, mas não tem nenhum peso ou suspense do Alien clássico que a gente lembra. Na verdade, o maior peso do filme são os questionamentos feitos pelo personagem do Michael Fassbender.

O android David está presente no filme, assim como Walter, um outro android da nave Covenant. David é um modelo antigo e sem amarras que sobreviveu ao filme Prometheus, e Walter é uma versão atualizada em todos os sentidos, mas que não é capaz de criar coisas novas. Todas as cenas entre os dois são muito incríveis, principalmente o diálogo sobre a criação, suas habilidades e limitações, suas ambições e entendimentos em relação aos humanos que os criaram, e aos alienígenas.

O filme responde muitas perguntas apresentadas em Prometheus, ao mesmo tempo que leva a mitologia pra um caminho inusitado. A figura dos engenheiros é extremamente diminuída, e o que cresce é o questionamento moral dos acontecimentos. A FOX tratou de lançar alguns vídeos no YouTube mostrando a ligação entre os dois filmes, e também cenas de abertura de Alien Covenant.

Temos muitas homenagens de cenas chaves da franquia Alien, do primeiro e segundo filme, você vai conseguir relacionar. Uma das melhores cenas do filme é a do ovo, numa grande ironia dramática que o trailer felizmente não entregou. Os tipos diferentes de aliens que aparecem também são muito interessantes, e o filme conta com vários segredos espalhados pelo filme.

Os personagens são muito característicos, e mesmo que a maioria esteja lá pra morrer, eles são inteligentes e possuem personalidade. Não cometem erros bobos que estavam presentes no roteiro de Prometheus, mas em algumas situações existem decisões forçadas para avançar na história. Você tem uma nave com milhares de pessoas dormindo, por que você colocaria a vida delas em risco? Certas escolhas e motivações tiram o expectador de comprar 100% a história.

O filme acaba se dividindo em dois momentos, sendo toda a evolução até a chegada no planeta, e depois com a aparição do android David. Com ele, o filme muda completamente de tom, estética, ritmo e mensagem. Não parece mais o mesmo filme com foco no Alien. Você acaba vendo a evolução do caos, para depois entrar numa parte de explicações e ritmo arrastado.

Depois de um cliff ranger muito previsível, o filme tenta criar um suspense que não convence, e o sustenta até o final do filme. Isso acaba tirando completamente a atenção da reta final, pois o expectador fica sendo alimentado com uma ideia que não se resolve. Ficamos refém dessa resolução, e toda a ação, computação gráfica e cenas de morte ficam num pano de fundo. Aliás, a forma como eles lutam com os aliens é muito interessante na primeira metade do filme, e na segunda nem um pouco.

A verdade é que eu queria ver mais daquele mundo alienígena parecido com a terra, suas propriedades, diferenças, mas isso se perde no caminho, assim como alguns personagens com muito potencial que são sub-utilizados. O filme até conta com uma rápida participação de James Franco. No final, a resolução não tem impacto e mesmo assim acredita que enganou o expectador, apenas o suficiente para justificar a nova trilogia que se seguirá, e assim abrindo espaço para um novo filme.

Agora, vale a pena? Se você for fã da franquia Alien, é um filme com mais pontos positivos do que Prometheus, e que responde muitas coisas daquele universo, contando com várias pequenas homenagens. Atuação incrível de Michael Fassbender, ótimas cenas de ação, mortes, e entretenimento. Mas a partir da metade, o filme se transforma e você vai perdendo aquele mesmo ritmo. É possível que em algum momento você cheque seu relógio se perguntando se a história não vai se concluir logo. Existiam opções que não foram exploradas, então é possível que estejam guardando o próximo nível de conflito para os outros filmes. É um filme que vale a pena assistir nos cinemas se você gostar do gênero, temática, e também pela importância que tem em relação aos próximos filmes que virão.

O mais importante é você mesmo assistir o filme e dizer se gostou ou não, então aproveite pra nos dizer o que achou ali nos comentários 🙂

Alien Covenant | Crítica em Vídeo

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